Litoral Norte é a região que mais criou vagas de emprego no último ano

O governo do Estado, por meio da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão, divulgou na terça-feira (19), o Boletim de Trabalho no RS. Elaborado pelos pesquisadores Raul Bastos e Guilherme Xavier Sobrinho, o documento é produzido com foco no Estado a partir de informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) e do Novo Caged.

Segundo o levantamento, entre fevereiro de 2021 e fevereiro deste ano, o Rio Grande do Sul registrou saldo de 130.583 novos postos de emprego formal, o que equivale a uma alta de 5,3%. O setor de Serviços foi o que mais teve aumento (+59.596 postos), seguido pela Indústria (+34.428), Comércio (+27.310), Construção (+4.634) e Agropecuária (+4.615). Na comparação nacional, no mesmo período, o RS ficou abaixo da média brasileira, que registrou alta de 6,7%.

Fevereiro de 2022 marca o período de dois anos do início da pandemia. Ao comparar com fevereiro de 2020 (mês que iniciou a pandemia), o Estado registrou saldo positivo de 106 mil empregos formais. Na comparação entre os dois períodos de 12 meses (fev/2020 a fev/2021 – fev/2021 a fev/2022), o primeiro foi caracterizado pela retração no estoque de empregos no Estado (-1%), com maior impacto negativo registrada nos Serviços (-2,8%) e no Comércio (-0,7%). A Indústria, que no primeiro ano de pandemia foi o setor menos impactado em relação ao número de empregos formais no Estado (+1,2%), registrou a segunda maior expansão entre fevereiro de 2021 e fevereiro de 2022 (+5,2%), puxada pela Indústria de Transformação.

Dos 2.603.672 empregos formais no Estado em fevereiro deste ano na soma de todos os segmentos, a Indústria de Transformação registra 670.334 postos, o que representa 25,7% do total. Entre as atividades industriais, a fabricação de Máquinas e Equipamentos, com saldo 9.105 postos (+14,7%), foi um dos principais destaques.

Mercado de trabalho no 4º trimestre de 2021

Considerando o mercado de trabalho como um todo, não apenas os empregos formais, o Boletim traz dados do quarto trimestre de 2021 da Pnad Contínua do IBGE. Apesar da recuperação em alguns dos principais indicadores após os períodos mais críticos da pandemia, em 2020, o material ressalta a queda no valor dos rendimentos médio das pessoas ocupadas, que registrou o menor valor no RS desde o terceiro trimestre de 2012.

Na comparação do quarto trimestre de 2021 com o trimestre anterior, a redução no rendimento médio dos ocupados foi de 4% (de R$ 2.898 para R$ 2.782), queda mais intensa que a observada no país (-3,6%). Na direção oposta, a Taxa de Participação na Força de Trabalho (TPFT), que indica a porcentagem de pessoas em idade de trabalhar (14 anos ou mais) que estão inseridas no mercado de trabalho, chegou a 64,8% no quarto trimestre, ante 63,8% do trimestre anterior.

O Nível de Ocupação, que é o percentual de pessoas ocupadas em vínculos formais e informais em relação às pessoas em idade de trabalhar, também registrou crescimento de um ponto percentual (59,5% no quarto trimestre ante 58,5% do terceiro trimestre de 2021), o que representou um acréscimo de 100 mil ocupados no Estado.

A Taxa de Informalidade no mercado de trabalho do RS chegou a 33% no último trimestre de 2021, ante 32,2% do terceiro trimestre. Na comparação com outros Estados, a taxa do Rio Grande do Sul no período ficou acima da de Santa Catarina (27,3%) e de São Paulo (31,2%) e abaixo da registrada no Paraná (33,5%) e da média brasileira (40,7%). Quanto à Taxa de Desemprego, o material aponta para estabilidade na comparação do quarto trimestre com o terceiro trimestre de 2021 (8,1% contra 8,4%).

Emprego no Litoral Norte

Ao considerar a divisão do Estado em nove Regiões Funcionais (RF) para fins de planejamento, a RF4, que abrange o Litoral Norte, se manteve na liderança na criação de vagas em 12 meses (fev/2021 a fev/2022), quando considerada a variação percentual. A região teve alta de 10,98% no período, mais que o dobro do Estado, que ficou com média de 5,3% no mesmo período.

Conforme o estudo, o aumento de empregos no Litoral Norte gaúcho está relacionado diretamente com a flexibilização nas medidas de distanciamento social, que culminou com um aumento das atividades relacionadas ao turismo e ao lazer de verão, “que se tornou um efeito positivo da transferência de população para a região, incentivada, no contexto mais agudo da crise sanitária, pelas melhores condições lá identificadas para o isolamento social, então mais amplamente praticado”.

Perfil dos trabalhadores

Seguindo a tendência apontada no Boletim de Trabalho lançado em janeiro de 2021, as mulheres foram predominantes na ocupação das vagas criadas no mercado formal entre fevereiro de 2021 e fevereiro deste ano, responsáveis por 54,9% do total de novos vínculos.

Outro destaque já apontado no boletim anterior, os jovens de até 24 anos seguem predominantes na ocupação das novas vagas: a participação dos menores de 18 anos foi de 22,9% e dos jovens entre 18 e 24 anos, de 59,8%. O saldo de novos vínculos concentrou-se muito fortemente nos indivíduos mais jovens: 82,8% do saldo de emprego direcionaram-se a indivíduos com menos de 25 anos, enquanto as faixas etárias a partir dos 50 anos, na contramão do movimento geral do mercado formal, viram seus contingentes diminuírem.

Trabalhadores e trabalhadoras com Ensino Médio completo foram, do ponto de vista da escolaridade, o segmento que mais se expandiu proporcionalmente. Quanto à escolaridade, pessoas com Ensino Médio completo ocuparam 60,6% das oportunidades geradas no período. Essa tendência não significou o estreitamento de oportunidades apenas para os menos escolarizados: também os indivíduos com ensino superior completo estiveram claramente sub-representados nessa expansão recente do emprego formal no Estado

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